Segunda-feira 01 de Março, 2021
pesquisa
Bem-vindo
“A cultura somos nós próprios, a cultura é o homem em si mesmo, a cultura é a consciência que temos, que cada um de nós tem, do mundo que o rodeia, é a maneira como, digamos, guardamos dele sinais que podem ser transmitidos de seguida a outras gerações. (...) É ao mesmo tempo uma criação, uma reflexão sobre essa criação.” Eduardo Lourenço (2016)
  • PT
Newsletter
Newsletter
Subscreva a nossa newsletter e receba todas as novidades no seu e-mail.
Área reservada |
Sobre

O presente projeto da Comunidade Intermunicipal do Alto Minho pretendeu criar, através de um diálogo entre os diferentes municípios, mediadores culturais, agrupamentos de escolas e Instituições Particulares de Solidariedade Social, um repositório de música vocal de cariz tradicional desta região.

Antes de se partir para o desenho deste trabalho, procurou-se entender o lugar que poderia ocupar enquanto processo inacabado, em constante mutação, resultado de uma memória coletiva popular que permita o entendimento do passado olhando o presente e o futuro, crítica e criativamente.

Iniciado em 2018, no Ano Europeu do Património Cultural, tornava-se, e torna-se, premente relacionar o conceito de identidade social e cultural com os de património e memória através do sentido e sentimento de pertença individual ou coletivo. A construção coletiva de símbolos, significados e representações partilhados e difundidos ao longo dos tempos preconizam a forte relação entre património cultural, memória social e identidade enquanto constructos sociais.

Estas vozes, fazem parte de um património regional rico enquanto herança e matéria viva, importando responder a algumas questões essenciais para a fundamentação e desenvolvimento do trabalho, por forma a validar todo o processo. A saber:

- De que forma o conceito de folclore e identidade foi historicamente construído em Portugal, em especial no Alto Minho?

- Qual o papel desempenhado pelos mediadores culturais: diretores corais, folcloristas locais, organizadores de espetáculos, entre outros, através de critérios estéticos, na definição do que hoje é considerado folclore no Alto Minho e a melhor maneira de o interpretar?

Num itinerário passado, presente e futuro foram delimitadas de forma sucinta, três dimensões de ação para a conceção, recolha e análise das fontes.  

Passado - Junto de mais de 20 lares de terceira idade e centros de dia foi desenvolvido um trabalho articulado com as equipas locais, envolvendo educadores sociais e outros elementos, no sentido de, através de estratégias previamente estabelecidas, recolher em discurso direto, as memórias dos utentes: dos cantares aos pregões;

Presente – Contactaram-se agrupamentos e conjuntos vocais e de cantares dos 10 concelhos do Alto Minho, com um mínimo de 1 por território, para recolha de repertório tradicional vocal executado, gravando, transcrevendo os mesmos para partitura em notação musical juntamente com os textos originais, e produzindo um vídeo que serve de registo e divulgação desta riqueza patrimonial;

Futuro – Em articulação com os agrupamentos de escolas, trabalha-se para envolver alunos do ensino básico e/ou secundário de diversas formas, passando por integrar esta recolha nos curriculums e dar continuidade ao trabalho de recolha, junto de familiares e ou conhecidos, por forma a criar um importante diálogo intergeracional e alargar o espólio registado. 

Em todos os momentos e dimensões será imperativa a catalogação das fontes, através da proveniência, lugares e pessoas no processo de aprendizagem, reprodução e disseminação destas práticas no sentido de um maior entendimento de possíveis “lugares-comuns”.

Os resultados da presente proposta dependerão de um grande envolvimento institucional e de uma vontade maior em refletir sobre o património como motor de desenvolvimento cultural de uma região através da reflexão do que nos rodeia através desses sinais de nós próprios.